João
Ruela Ribeiro
20/02/2014
- 12:30
A
violência conheceu um novo extremo na capital ucraniana nos últimos dias. Desde
Novembro que os protestos se modificaram e a Praça da Independência vive
momentos de elevada radicalização.
Presidente
e líderes dos partidos da oposição têm sido os rostos da negociação. Mas nas
ruas, são os grupos informais que lideram as acções mais violentas.
Viktor
Ianukovich
No poder desde 2010, Viktor Ianukovich, de 63 anos, viu a sua reputação afectada depois de suspeitas de fraude eleitoral nas eleições de 2004, na origem da Revolução Laranja. Com a queda crescente da popularidade de Iulia Timoschenko, Ianukovich conseguiu vencer as eleições de 2010 por uma pequena margem de 3% dos votos, num sufrágio considerado limpo pelos observadores internacionais.
No poder desde 2010, Viktor Ianukovich, de 63 anos, viu a sua reputação afectada depois de suspeitas de fraude eleitoral nas eleições de 2004, na origem da Revolução Laranja. Com a queda crescente da popularidade de Iulia Timoschenko, Ianukovich conseguiu vencer as eleições de 2010 por uma pequena margem de 3% dos votos, num sufrágio considerado limpo pelos observadores internacionais.
A base de
apoio ao Partido das Regiões encontra-se sobretudo no leste do país, nas
regiões mais próximas da Rússia, tanto ao nível cultural como económico.
Cidades como Donetsk, Kharkov e Luhansk têm uma população considerável de
falantes de russo e de russos étnicos. O primeiro idioma de Ianukovich é russo,
apesar de ter aprendido ucraniano desde que tomou posse.
Num país
onde o poder económico se confunde frequentemente com o poder político, os
oligarcas exercem uma influência assinalável. No Parlamento, por exemplo,
apesar de os deputados estarem divididos em grupos parlamentares partidários é
a lealdade a um empresário poderoso que muitas vezes se torna determinante.
Ianukovich
conta com o apoio de Rinat Akhmetov, o homem mais rico da Ucrânia, com uma
fortuna avaliada pela Forbes em 15,4 mil milhões de dólares (11,2 mil
milhões de euros). Akhmetov fez fortuna na exploração mineira na região de
Donetsk, que já foi governada por Ianukovich, – onde também é proprietário do
clube Shakhtar Donetsk.
Apesar de
aparecer hoje como um aliado de Moscovo, publicamente Ianukovich sempre alinhou
por uma política de aproximação à União Europeia. Numa entrevista à BBC, chegou
a afirmar que “a integração da Ucrânia na UE continua a ser o objectivo
estratégico”. A primeira viagem oficial que fez foi precisamente a Bruxelas.
Uma das
principais críticas sobre Ianukovich é a suspeita que recai sobre a chamada
“família”, um círculo próximo do Presidente que terá enriquecido à custa de
favorecimentos ilícitos.
Vitali
Klitschko
É provavelmente o rosto mais conhecido da oposição ucraniana, muito devido à sua carreira no boxe profissional. Vitali Klitschko, de 42 anos, iniciou a sua carreira política com uma candidatura à Câmara Municipal de Kiev, em 2006, tendo ficado atrás do vencedor. Nas eleições locais de 2008, Klitschko conseguiu 15 lugares no Conselho de Kiev, depois de ter contratado como consultor o ex-mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani.
É provavelmente o rosto mais conhecido da oposição ucraniana, muito devido à sua carreira no boxe profissional. Vitali Klitschko, de 42 anos, iniciou a sua carreira política com uma candidatura à Câmara Municipal de Kiev, em 2006, tendo ficado atrás do vencedor. Nas eleições locais de 2008, Klitschko conseguiu 15 lugares no Conselho de Kiev, depois de ter contratado como consultor o ex-mayor de Nova Iorque, Rudolph Giuliani.
Mas foi a
partir de 2012 que o ex-campeão mundial de pesos pesados alcançou maior
notoriedade. Foi nesse ano que fundou o seu partido, o UDAR (a Aliança para a
Reforma Democrática Ucraniana, cujas siglas significam “murro”), tendo
alcançado 14% dos votos nas legislativas, apostando numa num programa
anti-corrupção.
Durante
os protestos dos últimos meses, Klitschko apresentou o discurso mais
pró-europeu e tem aproveitado a sua forte popularidade na Alemanha, onde fez
grande parte da carreira, para construir ligações ao Ocidente. No entanto, a
proximidade forte à Alemanha também lhe valeu críticas, obrigando-o a renunciar
à nacionalidade alemã recentemente.
As
principais fraquezas que lhe são apontadas são a inexperiência política – nunca
exerceu qualquer cargo público – e as fracas capacidades oratórias. Mas o
próprio Ianukovich vê em Klitschko o principal adversário nas eleições
presidenciais de 2015, segundo vários analistas.
Arseni
Iatseniuk
Lidera o partido Batkivshchina (Pátria), tendo sucedido a Iulia Timochenko, após a sua detenção, apesar de a “musa” da Revolução Laranja continuar como líder formal. Aos 39 anos, Iatseniuk já passou por vários cargos políticos de relevo, tendo assumido as pastas dos Negócios Estrangeiros e das Finanças em governos anteriores e ter liderado o Parlamento.
Lidera o partido Batkivshchina (Pátria), tendo sucedido a Iulia Timochenko, após a sua detenção, apesar de a “musa” da Revolução Laranja continuar como líder formal. Aos 39 anos, Iatseniuk já passou por vários cargos políticos de relevo, tendo assumido as pastas dos Negócios Estrangeiros e das Finanças em governos anteriores e ter liderado o Parlamento.
Foi a
Iatseniuk que Ianukovich ofereceu a liderança do governo, a 25 de Janeiro, na
tentativa de fazer cessar os protestos. Num primeiro momento, Iatseniuk afirmou
estar pronto para “assumir as responsabilidades”, mas logo recuou e esclareceu
que não iria aceitar o “presente envenenado” do Presidente.
Iatseniuk
está longe de ser o líder mais popular junto dos manifestantes, faltando-lhe o
carisma reconhecido a Timochenko. Mas é o reconhecimento da sua experiência
política que o apresenta como uma aposta segura numa futura administração. Pelo
menos foi essa a indicação dada pela vice-secretária do Departamento de Estado
norte-americana, Victoria Nuland, durante uma conversa telefónica que chegou a
público nas últimas semanas.
Oleg
Tiahnibok
O líder do partido nacionalista Svoboda (Liberdade), de 45 anos, tem sido gradualmente afastado das conversações com a presidência. Oleg Tiahnibok foi o único líder da oposição a quem Ianukovich não ofereceu qualquer cargo de governo, numa demonstração clara de que este partido não deverá entrar nas contas do poder no futuro.
O líder do partido nacionalista Svoboda (Liberdade), de 45 anos, tem sido gradualmente afastado das conversações com a presidência. Oleg Tiahnibok foi o único líder da oposição a quem Ianukovich não ofereceu qualquer cargo de governo, numa demonstração clara de que este partido não deverá entrar nas contas do poder no futuro.
O Svoboda
alcançou cerca de 10% dos votos nas eleições de 2012 e tem sido uma das forças
mais mobilizadoras nas ruas. A presença de Tiahnibok, que chegou a referir-se à
“máfia judaico-russa que domina a Ucrânia", ao lado de uma oposição
pró-europeia causa estranheza e preocupa os analistas.
A base de
apoio do Svoboda é também o ocidente do país, tal como acontece com os outros
partidos da oposição. No entanto, o confronto com Ianukovich é feito por razões
bastante diferentes. Defensores da língua e da pátria ucraniana, criticam a
subserviência do poder em relação a Moscovo e o domínio dos oligarcas
pró-russos. A cooperação com os outros partidos parece ser apenas
circunstancial, o que será certamente fonte de vários problemas no futuro.
Sector
Direito
Trata-se de um grupo sem qualquer filiação partidária, nascido no seio dos protestos, e que tem estado à frente dos confrontos mais violentos dos últimos meses, segundo vários correspondentes em Kiev. A entrada em cena do Praviy Sektor nos protestos coincidiu com a “transferência” do palco dos confrontos da Praça da Independência para a área perto do estádio do Dínamo de Kiev, na altura em que a violência subiu de tom.
Trata-se de um grupo sem qualquer filiação partidária, nascido no seio dos protestos, e que tem estado à frente dos confrontos mais violentos dos últimos meses, segundo vários correspondentes em Kiev. A entrada em cena do Praviy Sektor nos protestos coincidiu com a “transferência” do palco dos confrontos da Praça da Independência para a área perto do estádio do Dínamo de Kiev, na altura em que a violência subiu de tom.
Apesar da
página do grupo na rede social de língua russa Vkontakte ter 100 mil apoiantes,
no terreno o “Sector Direito” deverá contar com 300 membros, segundo a Reuters.
O grupo tem uma ideologia pouco coerente, sendo que aquilo que define o Sector
Direito é a acção directa.
Formado
em grande parte por adeptos violentos de clubes de futebol – o nome “Sector
Direito” está relacionado com uma zona dos estádios –, o grupo organiza-se
através de milícias de autodefesa e são vistos em sessões de treino paramilitar
em plena Praça da Independência.
O seu
quartel-general era a Casa dos Sindicatos, entretanto incendiada durante os
confrontos dos últimos dias. Ocupam, desde quarta-feira, o edifício central dos
correios.
Causa
Comum
Outro dos grupos formados durante os protestos. É menos violento do que o Sector Direito e os seus membros partilham uma ideologia nacionalista. Apresentam-se mais como um movimento social e foram notados pela permanente ocupação de edifícios.
Outro dos grupos formados durante os protestos. É menos violento do que o Sector Direito e os seus membros partilham uma ideologia nacionalista. Apresentam-se mais como um movimento social e foram notados pela permanente ocupação de edifícios.
Esse acto
é visto pelos seus membros como “um acto de resistência”, que tentam sempre
levar a cabo sem violência. Foram membros do Spilna Sprava que ocuparam
o edifício do Ministério da Justiça, levando à primeira ameaça de declaração do
estado de emergência no país.
Mais
recentemente protagonizaram algumas cenas de violência contra outros
manifestantes que os tentavam retirar do edifício do Ministério da Agricultura.
http://www.publico.pt/mundo/noticia/os-protagonistas-da-batalha-de-kiev-1624482

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