| Protesto em Buenos Aires: mesmo
um curto default aumentará as pressões sobre o peso (Foto
Marcos
Brindicci/Reuters)
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O país entrou em default pela segunda vez em 12
anos depois que acabaram as esperanças de um acordo de última hora com os
credores
Sarah
Marsh/Reuters
Buenos
Aires - A Argentina entrou em default pela segunda vez
em 12 anos depois que acabaram as esperanças de um acordo de última hora com os
credores chamados de "holdouts", preparando o caminho para que os
preços de ações e bônus argentinos desabem nesta quinta-feira e aumentando as
chances de que a recessão seja ainda mais forte neste ano.
Depois de
sete horas de reuniões em Nova York, o ministro argentino da Economia, Axel
Kicillof, disse que os credores "holdouts" --liderados pelos fundos
NML e Aurelius-- rejeitaram de novo a oferta de aderirem à troca com as mesmas
condições que os credores reestruturados.
Kicillof
acrescentou que tampouco aceitaram o pedido da Argentina para que peçam à
Justiça que suspenda a ordem que impede ao país pagar sua dívida externa se não
fizer o mesmo com os "holdouts".
"Oferecemos
a eles que entrassem em uma troca imediatamente, mas querem ganhos muito
maiores se puderem obtê-los. O que queriam era algo impossível para o
Estado", disse o ministro em entrevista à imprensa no consulado argentino
em Nova York.
O
mediador judicial Daniel Pollack, que intercedeu nas cinco reuniões realizadas
pelas duas partes desde o início do mês, afirmou em comunicado: "A
República da Argentina iminentemente estará em default". "Não é uma
mera condição técnica, mas um evento real e doloroso que prejudicará o
povo", afirmou.
"O
cidadão comum argentino será a vítima real e final." Mesmo um curto
default elevará os custos de financiamento das empresas, aumentará as pressões
sobre o peso, drenará recursos das reservas internacionais e alimentará uma das
taxas de inflação mais altas do mundo.
"Vai
complicar a vida para empresas como a YPF, que vão buscar financiamento no
exterior", disse o ex-presidente do banco central argentino Camilo
Tiscornia. A empresa energética controlada pelo Estado YPF precisa de recursos
para desenvolver a formação de xisto de Vaca Muerta.
A
Argentina buscou em vão uma suspensão de última hora da decisão do juiz
norte-americano Thomas Griesa ordenando o pagamento de 1,33 bilhão de dólares
mais juros aos credores "holdouts". Griesa decidiu que a Argentina
não podia pagar sua dívida reestruturada sem pagar os "holdouts" ao
mesmo tempo.
"Este
é um default muito particular, não existe um problema de solvência, e tudo
depende da rapidez com que isso será resolvido", disse o analista Mauro
Roca, do Goldman Sachs.
Mesmo
grave, a situação está muito longe do caos que aconteceu após o colapso
econômico do país em 2001-2001, quando a economia afundou com um governo em
bancarrota, e milhões de argentinos perderam seus empregos.
Desta vez
o governo é solvente. Quanto o país sofrerá com o default dependerá da rapidez
com que a Casa Rosada conseguirá encontrar uma saída para o problema.
http://exame.abril.com.br/economia/noticias/argentina-entra-em-default-e-espera-reacao-do-mercado
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