Escrito
por Nivaldo Cordeiro | 26 Agosto 2014
Marina Silva quer governar com e
para seu grupelho político, que é socialista e ambientalista, de costas para a
realidade.
Todos os candidatos estão usando o mote da “mudança”, até mesmo quem é da situação, tentam seduzir o eleitorado para o engajamento revolucionário. Os marqueteiros admitem que sem o mudancismo não se ganha, ignorando solenemente que o povo brasileiro é majoritariamente conservador e não deseja mudança na ordem estabelecida. Dilma Rousseff não cansa de dizer que dará continuidade ás mudanças que o PT vem fazendo, desde que assumiu. Como pode alguém ser da situação e falar em mudança? Aqui é preciso uma exegese cuidadosa do discurso político em uso.
Há uma sutil confusão
entre mudança de nomes (e de partidos) com a mudança da ordem vigente. Certo
que todas as candidaturas são de esquerda e o esquerdismo consiste precisamente
nisso, no discurso da mudança, até mesmo “contra tudo que está aí”. A esquerda
quer modificar o status quo porque acha que tem as soluções para os problemas
humanos, bastando, para isso, vontade política. Obviamente é delírio perigoso.
Por detrás do argumento está o ímpeto perfectibilista de todos os
revolucionários, que acham que podem aperfeiçoar a natureza, inclusive a
natureza humana.
O PSDB emprega o
termo no segundo sentido, porque aprendeu os limites do Estado e da vontade
mudancista. Por isso pôde combater a inflação crônica e elevada e dar
relativamente maior estabilidade à sociedade brasileira. Claro que, nos seus
quadros, tem um grande número de mudancistas, mas o princípio de realidade
prevalece. O PSDB quer mudar mais os marcos jurídicos dos costumes do que a
estrutura econômica, como a questão do aborto, das uniões matrimoniais e o uso
de estupefacientes. Descobriu finalmente que existe a lei da escassez e que o
melhor é deixar as relações econômicas sob o império das forças de mercado, mas
sem reduzir o Estado.
O PT, ao contrário,
fala de mudança no primeiro sentido. Quer mudar a Constituição, quer mudar o
Estado, quer revolucionar tudo. O recente decreto que tenta sovietizar o Estado
Brasileiro, ainda em vigor, é bem o exemplo do que estou dizendo. Eu tenho
comentado exaustivamente a desesperada tentativa de mudar a cara dos produtores
de conteúdo dos meios de comunicação, a fim de controlar a opinião pública,
como está sendo feito na Argentina e na Venezuela.
E Marina Silva? Ela
se pretende a dupla mudança, de nome (e partido) e da ordem vigente. Ela quer
governar com e para seu grupelho político, que é socialista e ambientalista, de
costas para a realidade. É por isso que Marina Silva não consegue se apoiar nem
mesmo nos quadros históricos do PSB, pois no seu centro de decisões só tem
lugar para aqueles que ideologicamente comungam de suas crenças.
Se Marina Silva tem
dificuldades para costurar apoios para se eleger, avalie-se o tamanho das
dificuldades que terá para governar. Não se pode governar o Brasil de costa
para as forças vivas da Nação, nessas compreendidas o Centrão do PMDB, o
agronegócio e os partidos que dão sustentação à ordem. Mas é o que propõe a
candidata acreana, no seu ímpeto mudancista. Nisso consiste o maior perigo de
uma eventual vitória sua.
Quem viver verá!
http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/15404-2014-08-26-03-43-55.html

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