Escrito
por Hermes Rodrigues Nery | 16 Junho 2014
Publicado
em MSM – Mídia Sem Máscara
O PT quer sovietizar o Brasil para viabilizar o
socialismo, utilizando-se do mesmo roteiro que fez milhões de pessoas sofrerem
no Leste Europeu do pós-guerra. O roteiro é o mesmo, com as sombras já
conhecidas.
A
releitura do capítulo "A construção da democracia popular", do livro Continente
Sombrio - A Europa no século XX, de Mark Mazower, reforça as inquietações
sobre o projeto de poder do PT no Brasil (especialmente após o decreto
8243/2014), que visa implantar aqui o que se tentou fazer no Leste Europeu do
pós-guerra, cujo roteiro bastante conhecido, traz graves apreensões,
especialmente pelas conseqüências que a história recente já registrou, de
triste memória.
No
pós-guerra, a União Soviética autorizou a criação de partidos e sindicatos que
unissem as forças progressistas, de colaboracionistas com a ideologia marxista
que levassem a democracia popular ser capaz de fazer a revolução comunista
acontecer nos países destruídos pela guerra, transformados em satélites de
Moscou. "A democracia popular foi claramente identificada com a ditadura
do proletariado". Na Polônia, por exemplo, Mazower lembra o nome sugestivo
do partido criado lá para tais objetivos: Partido dos Trabalhadores. O
comunismo só avançaria com a "democracia popular" e não a chamada "democracia
burguesa ou de partido". Feito isso, os próximos passos se tornaram
conhecidos: os "julgamentos exemplares de figuras públicas
anti-soviéticas", e o aumento das tensões, que exigiu perseguições,
confinamentos e a eliminação física dos descontentes.
A democracia
popular estaria a serviço do "regime monolítico" determinado por
Moscou. Inicialmente, coalizões foram feitas "para encobrir o controle
comunista", mas depois, prevaleceu o pragmatismo das forças totalitárias.
E o comunismo só tomou força e avançou, por causa da fraqueza e falta de coesão
de muitos partidos, e também das forças conservadoras, sempre divididas,
atônitas, acuadas, assustadas. Não foi possível agregar a resistência, por
causa justamente da tibieza das lideranças. Políticos liberais e católicos
principalmente hesitavam em fazer oposição quando podiam, e muitos
vergonhosamente se acomodaram à nova situação, como colaboracionistas.
Mazower
ainda conta que "a cultura, a educação e os meios de educação (...)
estavam sob o domínio de Moscou". E mais: a polícia e o funcionalismo
público em geral se tornaram reféns dos comunistas. Muitos se curvaram à nova
realidade e também passaram a colaborar, porque queriam mesmo era garantir seus
empregos. Os que resistiram, foram expurgados. "Julgamentos exemplares
converteram-se em demonstração visível de lealdade ao partido". E com a
retórica da "democracia popular", os comunistas foram intimidando
cada vez mais. "Só na Tchecoslováquia foram realizados julgamentos maciços
de ex-socialistas, católicos e social-democratas". Muito tarde se percebeu
no que resultou os serviços prestados pelas "democracias populares"
naqueles países subjugados: o terror stalinista.
É claro
que houve resistência, mas
"a maioria dos presos foi mandada para os campos de trabalho (...). O trabalho tornou-se um castigo e também um meio de redenção, um direito e um dever por meio do qual os inimigos do 'proletariado' poderiam reintegrar-se à sociedade para participar da grande Construção Socialista".
"a maioria dos presos foi mandada para os campos de trabalho (...). O trabalho tornou-se um castigo e também um meio de redenção, um direito e um dever por meio do qual os inimigos do 'proletariado' poderiam reintegrar-se à sociedade para participar da grande Construção Socialista".
E
enquanto tudo acontecia, a máquina publicitária funcionava com vigorosa
propaganda, para não alardear tanto, no lado ocidental da Europa, os horrores
ocorridos nas "democracias populares". E mais terrível ainda foi a
obsessão pelo "controle da terra pelo Estado", que gerou rebeliões
camponesas: "os esforços do partido para subjugar os trabalhadores rurais
pelo terror geraram uma inquietação generalizada". Na Romênia, houve pelo
menos 80 mil processos e deportações de camponeses,
"30
mil em humilhantes julgamentos exemplares. Outros tiveram suas casas saqueadas
pela milícia, a produção e o gado requisitado, sua família espancada ou
ameaçada. Na Hungria milhares de agricultores definharam em campos de
internamento, enfraquecendo ainda mais a economia rural".
A
coletivização, com a forma socialista de "fazenda coletiva ideal"
gerou traumas e grandes rejeições. Mesmo os que escaparam de lá se viam também
com outros problemas agudizantes: "milhões de jovens camponeses
apinhavam-se nas cidades, e os regimes tentavam resolver a iminente falta de
moradia, desalojando proprietários 'burgueses'". Nas cidades tchecas
ocorreram "expulsões maciças" desses "inimigos sociais".
Medidas foram criadas "contra indivíduos socialmente perigosos". E
mais:
"As vítimas iam engrossar os exércitos de escravos usados em projetos grandiosos, como o canal Danúbio-Mar Negro (que envolveu 40 mil prisioneiros). Atrás das cercas de arame farpado eles viviam a céu aberto até conseguir erguer abrigos de junco e cavar poços de água. A escassez de alimento e as precárias condições de higiene levaram muitos ao suicídio".
"As vítimas iam engrossar os exércitos de escravos usados em projetos grandiosos, como o canal Danúbio-Mar Negro (que envolveu 40 mil prisioneiros). Atrás das cercas de arame farpado eles viviam a céu aberto até conseguir erguer abrigos de junco e cavar poços de água. A escassez de alimento e as precárias condições de higiene levaram muitos ao suicídio".
Hermes Rodrigues Nery é especialista em Bioética, pela PUC-RJ, coordenador da Comissão Diocesana em Defesa da Vida e Movimento Legislação e Vida, da Diocese de Taubaté. Membro da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e da Associação Guadalupe.
E-mail: hrneryprovida@gmail.com
http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/15267-as-sombras-do-decreto-82432014.html
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