Por
Reinaldo de Azevedo
Veja/Abril
- 16/06/2014 - às 19:00
Vocês se lembram que denunciei aqui, no dia 4 de junho,
que o governo Dilma está pressionando a indústria farmacêutica brasileira a
abrir fábricas em Cuba para a produção de biossimilares, que seriam exportados
para a América Latina e Caribe, inclusive o Brasil? Sim, brasileiras e
brasileiros, a petezada que comanda o país quer gerar empregos em Cuba, o que
certamente desempregará brasileiros; quer gerar divisas para Cuba, o que
certamente será ruim para a balança comercial brasileira; quer dar velocidade,
em suma, ao PAC, o Programa de Aceleração de… Cuba!
A repórter Talita Fernandes, da
VEJA.com, foi atrás da história. O Planalto, claro!, nega que esteja fazendo
essa ursada com os brasileiros, mas, oh surpresa!, o Granma, o jornal do
Partido Comunista — é aquele cujo endereço na Internet é “Granma.cu” (sem
querer ofender petistas, é claro!) — confirma. Vejam trecho do artigo. A
íntegra está aqui.
![]() |
| http://www.granma.cu/idiomas/portugues/cuba-p/27febrero-9biofarma.html |
Retomo
Em “comunistês”, tudo é uma maravilha, e os dois
países sairão ganhando. Em “verdadês”, o governo petista pressiona a indústria
farmacêutica brasileira a transferir parte de suas plantas industriais para
Cuba. Chegou a hora de a oposição convocar o sr. Arthur Chioro, ministro da
Saúde, e os representantes da indústria farmacêutica para falar no Congresso.
Segue a reportagem da VEJA.com. Volto para encerrar.
*
O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho.
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O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho.
O alto escalão da República tem atuado, por assim dizer, como
lobista de primeira linha dos irmãos Castro, sem que qualquer contrapartida
benéfica para o Brasil seja posta na mesa. Mas a estratégia tem encontrado
resistência: o alto custo de instalação de indústrias na ilha e as dificuldades
de exportação de produtos, devido ao embargo econômico, tornam a empreitada
economicamente inviável. Além disso, a razão de o governo demandar
investimentos em Cuba, e não no Brasil, está cercada de pontos nebulosos.
Afinal, costurar acordos com outros países com o objetivo de estimular a
indústria nacional é agenda mais que bem-vinda para o país. Contudo, não há
lógica que justifique lançar mão do mesmo expediente para criar (mais um)
pacote de bondades para Cuba.
Em janeiro, a presidente Dilma
Rousseff, o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e seu sucessor, Arthur
Chioro — que está à frente da pasta desde que Padilha saiu para candidatar-se
ao governo paulista pelo PT — convidaram empresários do setor farmacêutico, que
ouviram da própria presidente a intenção do governo de levar empresas
brasileiras para se instalar na Zona Especial do Porto de Mariel e desenvolver
a economia local. A estratégia é construída com base no argumento das vantagens
tributárias e alfandegárias da Zona Especial. Contudo, mesmo com todos os incentivos,
empresários ouvidos pelo site de VEJA se mostraram céticos.
Inviabilidade econômica
Os convites vêm confundindo o
empresariado porque contrariam o próprio plano que o governo brasileiro tem
para o setor farmacêutico. “Não faz o menor sentido, pois o Brasil já tem uma
estratégia bem desenhada para o setor, que é de estimular a indústria nacional
por meio das próprias compras governamentais. O plano para Cuba vai contra a
própria política industrial”, diz Dante Alário Junior, sócio e responsável pela
área de pesquisa e desenvolvimento e inovação da Biolab. Sua empresa já recebeu
vários convites para participar de eventos promovidos pelo governo brasileiro
em Cuba e investir na ilha — o último deles ocorreu no início de junho — mas
não tem interesse na empreitada porque já investe num projeto de
internacionalização nos Estados Unidos. “Cuba foi descartada porque não temos
condições de investir também lá. Não faz sentido para a empresa”, afirma.
Outro executivo do setor ouvido pelo
site de VEJA, que prefere não ter seu nome revelado, afirmou que os empresários
se mantêm descrentes em relação à viabilidade dos investimentos. “O setor
farmacêutico sempre foi cético com a possibilidade de Cuba suprir um negócio
que exige alta tecnologia”, disse. Parte do pessimismo deve-se também ao fato
de as empresas brasileiras já estarem firmando acordo com multinacionais de
outros países para produzir medicamentos (em especial os biossimilares),
sobretudo americanas e europeias. O embargo econômico a Cuba anula a viabilidade,
diz o executivo, porque impede que tais empresas consigam exportar os
medicamentos produzidos na ilha para mercados consumidores importantes, como
Estados Unidos e México, que têm proximidade geográfica.
As farmacêuticas vêm sendo procuradas
há mais de um ano para realizar investimentos em Cuba. Num primeiro momento, o
contato foi estabelecido por intermédio da Odebrecht, responsável pela
construção do porto cubano. Em 2014, o governo passou a fazer os convites,
excluindo da lista as empresas associadas à Interfarma, que são essencialmente
estrangeiras. Procurada pela reportagem, a Odebrecht disse que “apoia o acordo
bilateral entre Brasil e Cuba no desenvolvimento de medicamentos”. A companhia,
inclusive, assinou um Memorando de Entendimentos com a farmacêutica cubana
Cimab para a criação de uma joint-venture na ilha. Contudo, o acordo nunca saiu
do papel.
Mesmo sem um interesse claro em
investir na ilha, as empresas são alvo de tamanha insistência do governo — em
especial do Ministério da Saúde e do Desenvolvimento — que não ousam declinar
totalmente as ofertas de negócios. “As que foram a Cuba quiseram atender a um
pedido da Presidência. É muito difícil não ir”, disse o médico e deputado
federal Eleuses Paiva (PSD-SP), que está ciente das conversas no Ministério da
Saúde. “Agora, se as indústrias forem se instalar, é porque o governo está
montando situações econômicas fantásticas”, disse o deputado. “A indústria de
genéricos acabou de construir um parque nacional. É tudo recente demais para ir
a Cuba”, disse.
De Brasília a Havana
A última reunião realizada em Cuba
ocorreu nos dias 5 e 6 de junho, liderada pelo Secretário de Ciência,
Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. O
encontro contou também com a participação de executivos da Eurofarma, da
PróGenéricos (Associação dos produtores de medicamentos genéricos) e de
representantes da Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa). Procuradas, as empresas participantes negaram que o encontro tenha
sido realizado com o objetivo de levar as farmacêuticas a se instalarem em
Cuba. Contudo, a pauta do encontro, à qual o site de VEJA teve acesso,
mencionava a discussão de “investimentos no Porto de Mariel”.
Comandante da missão, Carlos Gadelha é
um dos nomes do Ministério da Saúde citados nos escândalos da Operação
Lava-Jato. Conduzida pela Polícia Federal, a Operação desmontou um esquema
bilionário de lavagem de dinheiro orquestrado pelo doleiro Alberto Youssef,
preso desde março e pivô dos escândalos. O laboratório comandado pelo doleiro,
o Labogen, é apontado pela Polícia Federal como o carro-chefe do esquema de
lavagem de dinheiro. Durante as investigações, a PF interceptou conversa
telefônica entre o empresário Pedro Argese e Youssef, relacionadas à assinatura
de parcerias entre o Ministério da Saúde e empresas privadas. Em um dos
trechos, Argese comenta ter conversado com Gadelha. De acordo com a
transcrição, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o secretário teria
prometido dar todo o apoio possível para a retomada do Labogen.
O Ministério da Saúde nega que o
governo brasileiro queira incentivar a instalação de empresas farmacêuticas em
Cuba. Afirmou que o encontro de junho teve “por objetivo o monitoramento e
avaliação das prioridades científicas, tecnológicas e de saúde pública para os
respectivos países em áreas como terapia e controle de câncer, terapia celular
e neurociências”. Em nota, afirmou ainda que o país tem cerca de vinte projetos
em andamento entre laboratórios públicos e privados brasileiros com
instituições cubanas. “Em nenhum dos projetos aprovados pelo Comitê, cabe
ressaltar, está prevista a instalação de fábricas brasileiras em Cuba.”
A pasta, contudo, não combinou a
resposta com os cubanos. Artigo extenso do jornal castrista Granma aponta o
Brasil como principal parceiro de Cuba no setor farmacêutico. Diz o texto que
uma nova etapa na cooperação entre os dois países iniciou-se após a visita a
Havana da presidente Dilma, em janeiro deste ano. E que a criação de empresas
mistas (brasileiras e cubanas) colocadas na Zona Especial do Porto de Mariel,
“utilizando tecnologia cubana e capital brasileiro”, servirá para incentivar a
produção de biossimilares para “satisfazer as necessidades dos sistemas de
saúde de ambos os países e permitir a exportação conjunta a outros mercados”. O
que ainda não está claro — e o governo se negou a explicar — é a razão de se
investir capital dos contribuintes brasileiros para desenvolver a indústria de
outro país. Trata-se, mais uma vez, de um presente generosíssimo do Brasil ao
regime cubano.
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Encerro
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Encerro
Na sexta, José Serra, criador do programa de genéricos no Brasil, escreveu um artigo na Folha demonstrando como o atual governo ameaça o programa. O que vai acima é outro atentado.
Talvez um dia saibamos direito a
natureza das relações dos petistas com Cuba, além das afinidades ideológicas. A
ilha da tirania virou uma espécie de caixa preta do governo brasileiro. Como
não existe transparência mínima, as informações, o trânsito de dinheiro
brasileiro para Cuba — haverá também o contrário? — se dá sem nenhum controle.
Já houve o financiamento do Porto de Mariel; há a bolada mensal derivada do
“Mais Médicos” e, agora, a pressão do governo para fazer um setor da indústria
brasileira migrar para a ilha. A troco de quê?
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/alo-oposicionistas-brasileiros-jornal-do-partido-comunista-de-cuba-confirma-que-dilma-quer-forcar-empresas-farmaceuticas-brasileiras-a-produzir-em-cuba-pt-quer-cortar-empregos-aqui-e-gerar-empregos/

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